PINGO É LETRA

Sobre sentir e dizer… por apaixonados pela linguagem!

Doce e confuso mel

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

(…) Deixar correr solto o que a gente quiser.
Qualquer faz de conta, a gente apronta / É bom ser moleque enquanto puder.
Ser super-humano, boneco de pano, menino ou menina que sabe o que quer.
Se tudo que é livre, é super-incrível  / Tem cheiro de bala, capim e chulé!

Era assim. A felicidade vinha todos os dias, por volta das oito da manhã, e ia embora pouco antes do meio-dia, numa nave espacial, a tempo de sairmos pra escola. Na escola, ela estava na hora do recreio, em refrigerante de garrafa e lancheira de super-herói. Mais tarde, se traduzia na permissão de ficar acordado só mais vinte minutinhos, de não ter que ir dormir tão cedo.

Não tive uma infância das mais abastadas e, pra falar a verdade, foi até bastante dura, cheia de não-podes financeiros. Mas, ao mesmo tempo, fez com que eu aprendesse a ver felicidade no que havia de mais simples. Troca de dois gibis usados por um que eu ainda não tinha lido – e que era usado também. Farinha láctea com leite gelado na casa do melhor amigo. Pique-esconde noturno, ainda que com o limite de chegar em casa até as 10h. E cada vez que eu acertava uma conta proposta pelo vendedor da papelaria, ganhava uma caneta esferográfica novinha em folha!

Agruras? Claro! Bife de fígado no jantar, música de Natal ouvida na solidão, enjoo no ônibus de Copacabana pra Campo Grande. A morte de Ayrton Senna, do trapalhão Zaccarias, da inocência. Perguntas do tipo “você gosta mais do papai ou da mamãe?” ou “por que nota 7 em comportamento?”. Brigas na cozinha, piolhos na cabeça, brigas na cabeça.

Mas por que lembrar tanta coisa assim, misturada, sem ordem cronológica ou sem lógica aparente? Porque somos frutos do que já vivemos e apenas rascunhos do que ainda vamos viver. E a cada novo balancete que se faz da vida, vê-se que as contas não batem. Às vezes sobram lágrimas e faltam sorrisos. Às vezes, é o contrário. De vez em quando, parece que houve mais divisão que multiplicação. E a ânsia de quantificar o passado se esvai em meio a pensamentos tão desordenados, tão avessos à nossa mania de deixar tudo organizadinho, arrumadinho, catalogado e classificado.

Talvez um bom exercício para livrar-se dessa neura seja o do “desarrependimento”. Acho que inventei essa palavra uns dias atrás, quando vi que a solução para uma imensa culpa que estava sentindo não era sair correndo pra ajeitar o que parecia desajeitado. Nem era desculpar-me com os que eu achava que pudessem estar ofendidos. Ou querer lavar uma louça suja – mas que não precisava ser limpa, pois já estava quebrada, no chão.

Tentei entender que coisas (e fatos) desajeitados podem ser até charmosos. Que os tais “ofendidos”, de repente, nem sequer sabiam por que poderiam está-lo. E que, convenhamos, uma louça quebrada é apenas uma louça. E apenas isso, ora bolas!

Por outro lado, também não chegaria a me orgulhar da tal culpa que sentia. Resolvi, então, apenas me desarrepender. Não sei se vai funcionar por muito tempo, mas pelo menos dá um descanso pra essa minha cabeça louca, que mistura tudo: boneco de pano, menino, menina, bala, capim e chulé!

Add aí

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Esse mundo é mesmo um paradoxo. O ser humano é dito como cada vez mais egoísta e reservado. Já não colocamos mais as cadeiras na calçada para conversar no fim da tarde. Não sentamos à mesa com a família toda reunida tão frequentemente. Trabalhos de grupo são feitos por email e não mais na casa do colega cuja mãe se dispunha a fazer o lanche da galera. Compramos pela internet, vendemos pela internet. Rezamos, protestamos, jogamos baralho, namoramos, tudo pela internet – e há os que transam pela internet, ainda que o conceito de transa, nesse caso, seja bastante questionável.

Home-offices fazem nossa ida ao trabalho eventualmente dispensável. O supermercado entrega em domicílio, a farmácia também. Ver fotos dos amigos: em casa, pelo fotolog. Graduação: à distância. E quando percebemos, a fachada do prédio já até mudou de cor, sabia? A síndica nos encontra no elevador e pergunta, surpresa, se ainda moramos no 903. “Não”, respondo, “foi sempre no 902”. Tudo bem. Também não sei o nome dela e achava que o síndico era o senhor que está sempre na portaria… Despeço-me com um “Então tá. Até logo!”. E sigo meu caminho prometendo me inteirar mais dos assuntos do condomínio.

Mas o que explica, então, a profusão de redes sociais? Por que tuitamos que estamos com fome ou entediados? Por que o status do MSN indica nosso humor, o último filme visto, um recado para um bom entendedor, o calor que está fazendo, o namoro que terminou? Por que temos 737 amigos adicionados e ficamos dias sem ganhar um abraço?

Deve ser a história do ovo e da galinha. Nossa natureza faz com que necessitemos interagir, nos comunicar. A era da comunicação remota nos leva à solidão. A solidão nos faz buscar relações, ainda que essas sejam virtuais. A virtualidade não satisfaz e nos sentimos sozinhos de novo. E aí adicionamos mais uns 18 amigos de amigos que talvez nos conheçam de algum lugar…

Quem nunca reparou e se incomodou com a cena de uma festinha, que antes chamávamos de “uma social”, em que todos estão, a cada minuto, checando seus e-mails em um aparelhinho esperto – ops, smart – e dizendo ao mundo que estão com @fulana e com @ciclana, rindo (hehehe) muito sobre o #babado_da_semana, hein? Você não? Provavelmente porque estava mandando torpedos ou respondendo a uma mensagem urgente d’ @beltrana que viu uma foto sua marcada e comentada por todos.

Sou suspeito pra falar do assunto. Detesto. Absolutamente, detesto falar ao telefone. Não tenho paciência. Preciso gesticular, olhar nos olhos, fugir dos olhos, mudar o tom, baixar a voz, fazer careta. Mas, no corre-corre da vida solitária, já me peguei fazendo o que nunca achei que faria: em vez do SMS, I just called, to say, I love you. Já desisti de fazer todas as reuniões que eu precisava que fossem presenciais e pertenço a diversas listas de email – sem as quais, admito, eu não produziria tanto.

Verdade é que, ao mesmo tempo em que adoro conhecer gente do mundo inteiro, me agonia o fato de ser impossível dar atenção e saber de todos – quem casou, quem separou, quem emagreceu, quem tem filhos e quem decidiu que nunca os terá. De vez em quando, dá vontade de viver no campo e não ter que dar os parabéns, diariamente, a pelo menos 3 contatos do Facebook. Dá vontade de jogar pela janela o celular, o rádio, o laptop, o fone de ouvido, o cabo da câmera… todas essas coisas que já não tenho tanta coragem de desligar. Deve ser por isso que minhas férias são quase sempre em algum deserto, isolado, ou em uma cidade qualquer de um país esquisito que não tenha wi-fi.

Fico assim, na corda bamba. Se caio pra um lado, é a solidão torturante de quem sabe que é só 1 entre bilhões de terráqueos. Se caio pro outro, é a pseudo-popularidade sufocante que lota o visor do celular com chamadas internacionais. E, mesmo tendo ouvido os conselhos de minha mãe, que diz que “em cima do muro, é chumbo dos dois lados”, continuo na corda bamba. Os nomes da corda? Literatura, música, esse blog,..

Sentir-se amado

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lindo texto de Martha Medeiros! Como é bom…

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SENTIR-SE AMADO

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Descolado

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Hoje em dia, significa desapegado, sem laços, sem caretices. Em suma, um cara legal pra caramba. É aquilo que todo mundo se considera até tropeçar nos laços que achava que não tinha. Os laços do preconceito que SEMPRE negou, do ciúme que jurou que NUNCA sentiria, da atitude que, imagina, JAMAIS tomaria. Assim mesmo, em maiúsculas.

Bom, digamos que o primeiro problema seja o de generalizar tudo. Se existe uma única generalização válida, é essa: ninguém é a mesma coisa o tempo todo. Sou antiquado, sou moderno. Hostil, romântico. Tímido, sedutor. Descolado, possessivo.

Óbvio? Sim, é óbvio. Mas a ambiguidade humana é óbvia. Só que a gente acostuma com a obviedade e se pega por aí usando palavras como “nunca”, “sempre”, “jamais”, “impossível”, “inaceitável”.

Ora, ora, o inaceitável é inaceitável quando acontece com o outro. O “absurdo” é absurdo quando palpitamos sobre a vida alheia. O “com certeza” funciona quando damos um conselho a quem nos pergunta o que fazer. Quando é causa própria, o passado e as palavras mal-ditas são as mais veementes testemunhas do quanto podemos ser contraditórios.

Por isso, é bom deixar-se navegar um pouco. Ficar atracado à suposta segurança de um cais não deixa a gente conhecer a beleza do mar. É saudável admitir que tem medo, que tem vergonha, que tem desejos, que tem ciúme, que muda de ideia em dias nublados… e muda de novo quando o sol reaparece.

Descolar da ideia de ser descolado pode ser a melhor maneira de sê-lo verdadeiramente. E para os momentos de arrependimento, pode-se valer de um sincero pedido de desculpas, do perfeito binômio colo-cafuné.

Pode ser. Porque tudo isso parece meio óbvio.

Dezembro/2010

Viagem

Uma viagem começa no momento em que decidimos fazê-la. Independe de malas, passagem, acomodação. Ela começa dentro da gente – desde que não haja “acomodação”. Viagem é mudança, é instabilidade, é um “agora aqui”, “daqui a pouco lá”. Conhecer seus próprios caminhos ajuda a caminhar, e assim me torno viajante.

A batalha não é pelo dinheiro, pelo destino, pelo tempo real. Minha Paris está em mim e tem que tomar o lugar do Oriente Médio que me ocupa.

Quantos textos não saem do papel pelo excesso de reticências? Quantas vezes não fico na cama por falta de insistência? Quantas vezes furo meu próprio pneu e reclamo que o carro não anda? E, ainda assim, por que insisto em viajar em um carro, se não me disponho a aprender a dirigi-lo?

A estrada está lá. “Acelera”, eu sussurro. “Freia”, eu grito. “Acelera”, eu grito. “Freia”, eu imploro. Gosto de sentir o vento na cara, mas às vezes é preciso velocidade para isso. E a certeza vai escorrendo pelas mãos que nunca a detiveram, mas que sempre a confortaram.

Talvez seja mais difícil viajar parado. Tirar o pensamento de uma garagem abarrotada de sucata, meu cérebro, e colocá-lo na highway da vida real, da estrada ora lisa, ora esburacada.

A segurança da angústia de que nada vai mudar, de que a paisagem vai ser sempre a mesma, nos impede de tentar abrir outra janela.Você fica na mesma estação e os trens das vidas alheias vão passando por você, em direção à chácara fresca e acolhedora que você quer e não quer – afinal, o portão serve para entrar na chácara, mas também pode ser a saída.

Voar já seria demais. Os pássaros parecem mais felizes. Não têm medo de voar porque não pensam em ter medo; porque não pensam – voam. Tem lá as suas nuvens, mas voam. O infinito lhes pertence e seus medos são outros.

O medo de pensar corta as asas; o medo pensado corta as asas; o pensador medroso corta os pulsos. Quero Berlim, quero uma ilha, quero uma chácara, quero Sydney, quero Milão, quero Madrid, quero o céu – não quero pensar.

Julho/2006

Panela de Pressão

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não, não. Não é uma analogia ao aquecimento global, mas ao aquecimento mental. O planeta sofre as consequências da ação humana; os homens sofrem as consequências do mundo que criaram.

Também não quero voltar no tempo. Adoro poder pagar minhas contas pela Internet; o que não gosto é da quantidade de contas que tenho. Adoro poder me comunicar em tempo real com amigos na Coreia do Sul; não gosto é da tendinite, mal dos que abandonaram os selos e os envelopes. Curto muito a globalização do mercado editorial, mas dava pra abaixar o preço dos livros? Nada como poder tirar e publicar quantas fotos eu quiser, mas, por que raios, tenho que “etiquetar” todo mundo nelas?

E, hoje em dia, nada mais demora como na época do fogão a lenha. Vai tudo como na panela de pressão: ao mesmo tempo, misturado, rápido! E ai de quem se arrisque a preferir o fogo brando: será atropelado pelas cobranças, em boletos bancários e ligações da família. Será tachado de incompetente, insensível. Se não abrandar, aí é irritado, invisível, incomunicável. É muito “i” nessa receita da vida!

Mas é no fim da jornada diária, seja o fim à noite ou pela manhã, que bate a azia da indigesta correria em que se transformou a rotina pós-moderna – sim, porque os modernos tinham, pelo menos, tempo pra almoçar.

Haja estômago pra entender (ou aceitar) que é preciso marcar na agenda, com 5 dias de antecedência, uma visita à casa da madrinha. E desmarcar depois, porque um cliente nas Filipinas pediu uma reunião via MSN pra dizer que não tem como te pagar.

Às vezes cansa ter que agendar coisas que, antes, eram pouco ou nada “agendáveis” (é, desenterrei essa palavra!). Cinema, sexo, supermercado, telefonema pra afilhada, um leite com bolinhos na casa da vovó. E a vizinha do apartamento ao lado pergunta: “você ainda mora aí? Jurava que você tinha se mudado!”

Haja estômago, minha gente. Haja estômago. Haja “tem que”. “Tem que” isso, “tem que” aquilo, “tem que” ser tudo ao mesmo tempo! Mas não adianta. De alguma forma, a gente “tem que” lembrar que dinheiro não compra tempo. “Tem que”, mesmo que seja muito de vez em quando, escrever um textinho de desabafo e atualizar o blog!

Mares

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

“Eu sou o oceano
atlético e atlântico
pacífico e romântico (…)

Sou índico infinito
indicado pro amor.

Eu sei, eu sal, eu sou.”

(Gabriel, o Pensador, em “Peixe Aquario”, do livro “Diario Noturno”).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Uma musiquinha de versos simples mas bastante melodiosos… e cafona, como todos os amores! :-))

.

“Sou fã do seu jeito

Sou fã da sua roupa

Sou fã desse sorriso

Estampado em sua boca

.

Sou fã dos seus olhos

Sou fã sem medida

Sou fã número um

E com você sou fã da vida…”

(Christian e Cristiano - Fã)

Boda de Papel

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Não veio arrebatador, como um vendaval de bater janela, quebrar vidraças e dar medo. Veio como um vento de fim de tarde, que entrou foi pela porta. Sentou no sofá, deitou e me deitou no colo, foi ganhando espaço… e ficou. Não “foi” assim. “Está sendo” assim. E espero que continue “sendo” o tempo todo, sem nunca chegar a “sido”.

Paixões avassaladoras são boas, fazem parte da vida. Mas não partilham um domingo vendo filmes musicais, não fazem cafuné depois do amor, não ficam encantadas só de ver o outro dormindo. Amores construídos dão segurança, nos fazem arriscar sem medo, nos fazem dizer bobeiras e exercer o legítimo direito humano de ser bobo! Obrigado!

Tudo ao mesmo tempo agora

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O título é esse mesmo, sem vírgulas e sem ponto. A vontade é de escrever o texto todo assim sem vírgulas sem ponto sem parar pra respirar e sem pensar muito na coesão coerência concordâncias e todas aquelas coisas que aprendi a cultivar em nome da boa escrita e isso é porque a vida tá exatamente assim sem vírgulas e muito menos ponto. Mas coloquei um agora. Ufa… coloquei mais três… Um “ponto-parágrafo” já seria demais pra quem anda sem tempo até pra não ter tempo. Produzo esse texto em blocão mesmo, tijolão de palavras, como os tijolões de qualquer coisa que se apresenta à minha frente. Tudo vem em tijolões, é resolvido aos tijolões e no fim do dia a impressão é de que um ou dois desses se encontra exatamente em cima da minha cabeça. Qualquer dia, abro uma empreiteira. E é só buscar um café, se esticar na cadeira, que lá vem os tijolões. Trabalho, serviço, adultos, crianças, clientes, funcionários, família, amigos, namorado, papéis, contas, comida, cartão, mais papéis, fotos, contratos, gritos, sussurros, poemas, jornal, mais papéis, chegada, partida, remédio, água, rádio, TV, roupas, problema, solução, chuveiro, beijo, dor, sono, tesão, sede, sono, acorda, e mais papéis, e a vida tá passando. Vamos que vamos, então. Já dizia a poeta, com orações curtas, pro santo não entediar. Vamos que vamos, que dá!

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